A epicondilite medial, conhecida popularmente como cotovelo de golfista, é uma inflamação e degeneração dos tendões que se originam na parte interna do cotovelo — região do epicôndilo medial do úmero.
Apesar do nome, a condição não afeta apenas golfistas: é comum em pessoas que realizam movimentos repetitivos de flexão e pronação do antebraço, como arremessadores, tenistas, praticantes de musculação e profissionais que utilizam ferramentas manuais.
Na maioria dos casos de epicondilite medial, o tratamento conservador — com repouso, fisioterapia, órteses e infiltrações — é suficiente para controlar a dor.
Porém, quando o quadro se torna crônico e resistente, a cirurgia passa a ser uma opção eficaz para alívio definitivo dos sintomas e restauração da função.
O que é a epicondilite medial e por que ocorre
A epicondilite medial é resultado de microlesões por sobrecarga nos tendões flexores do punho e dos dedos que se fixam no epicôndilo medial.
O esforço repetitivo causa inflamação, degeneração e espessamento tendíneo, processo conhecido como tendinose.
Os sintomas mais comuns incluem:
- Dor na parte interna do cotovelo, irradiando para antebraço e punho
- Dificuldade para segurar objetos e redução da força de preensão
- Desconforto ao girar maçanetas, levantar sacolas ou praticar esportes
- Dor constante em casos crônicos
A epicondilite medial é frequente tanto em atletas quanto em trabalhadores manuais (carpinteiros, pedreiros, digitadores).
Fatores como técnica esportiva inadequada, falta de fortalecimento muscular e sobrecarga repetitiva aumentam o risco.
O diagnóstico é clínico, baseado em história e testes específicos (como o teste de resistência à flexão do punho).
Exames como ressonância magnética e ultrassonografia musculoesquelética auxiliam na avaliação do grau de degeneração e na exclusão de outras causas, como neuropatia ulnar ou lesões ligamentares.
Quando a cirurgia é necessária
A cirurgia é indicada em casos refratários de epicondilite medial, quando o paciente não apresenta melhora após 6 a 12 meses de tratamento conservador adequado.
Isso inclui:
- Fisioterapia supervisionada
- Uso de órteses de repouso
- Modificação de atividades
- Medicação anti-inflamatória
- Infiltrações guiadas por ultrassom
Outras indicações incluem:
- Dor intensa e persistente, com impacto na qualidade de vida
- Limitação funcional grave em tarefas simples
- Falha de infiltrações e fisioterapia intensiva
- Degeneração tendínea avançada documentada em imagem
A decisão cirúrgica é individualizada, considerando idade, profissão, nível esportivo e tempo de evolução da lesão.
Técnicas cirúrgicas disponíveis
O objetivo do tratamento cirúrgico da epicondilite medial é remover o tecido degenerado, reduzir o processo inflamatório e estimular a cicatrização de um tendão saudável.
As principais abordagens incluem:
1. Debridamento aberto
Técnica clássica e eficaz.
Realiza-se uma pequena incisão sobre o epicôndilo medial para identificar e retirar áreas de tendão degenerado, estimulando a regeneração local.
2. Liberação parcial dos tendões flexores
Reduz a tensão sobre os tendões inflamados, aliviando a dor. Pode ser associada ao debridamento.
3. Reinserção tendínea com âncoras
Indicada em lesões extensas ou degenerativas, nas quais há necessidade de fixar novamente o tendão ao osso com âncoras de sutura bioabsorvíveis.
4. Artroscopia do cotovelo
Método minimamente invasivo que permite tratar a lesão por pequenas incisões, com menor tempo de recuperação e baixo risco de complicações.
Permite também a avaliação de estruturas adjacentes, como o ligamento colateral ulnar e o nervo ulnar.
A escolha depende da extensão da lesão, da experiência do cirurgião e do perfil funcional do paciente.
Recuperação e reabilitação
O pós-operatório exige cuidados específicos para proteger o reparo e permitir cicatrização adequada.
- Imobilização inicial: alguns dias com tala ou tipoia, para conforto e proteção.
- Fisioterapia precoce: após a fase de cicatrização inicial, inicia-se mobilização suave, seguida de fortalecimento e reeducação funcional.
- Retorno progressivo:
- Atividades leves: 4–6 semanas
- Trabalho manual e esportes: 3–6 meses
- Atividades leves: 4–6 semanas
A adesão à fisioterapia é essencial para evitar rigidez e recidiva.
Protocolos estruturados e progressivos melhoram força e coordenação, garantindo resultados mais duradouros.
Resultados e expectativas a longo prazo
Estudos recentes mostram taxas de sucesso entre 85 e 95%, com alívio sustentado da dor e recuperação da função (J Shoulder Elbow Surg, 2023).
A maioria dos pacientes retorna às atividades esportivas e profissionais sem limitação relevante.
Complicações são raras, mas podem incluir:
- Rigidez articular
- Dor residual
- Lesão do nervo ulnar (menos de 2%)
- Infecção superficial
Os melhores resultados ocorrem quando há diagnóstico precoce, técnica adequada e reabilitação completa.
O paciente deve compreender que a recuperação da força pré-lesão pode levar meses, variando conforme o grau de degeneração inicial.
Leia também: Cirurgia para tendinite crônica do punho: quando a liberação cirúrgica é necessária
Conclusão
A epicondilite medial é uma condição dolorosa e limitante, frequentemente relacionada à sobrecarga repetitiva.
Quando o tratamento conservador não traz resultados, a cirurgia — seja por debridamento, reinserção ou via artroscópica — é uma alternativa segura e eficaz para o alívio definitivo da dor e o retorno funcional.
O Dr. Gustavo Campanholi realiza avaliação detalhada de cada caso, utilizando exames de imagem de alta precisão e protocolos de reabilitação personalizados, sempre com foco em um retorno funcional rápido e seguro às atividades.
Aviso: Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica.
Em caso de dor persistente na parte interna do cotovelo, procure um especialista em cirurgia da mão e cotovelo para avaliação e tratamento adequados.



