O complexo fibrocartilaginoso triangular (TFCC) fica no lado ulnar do punho e combina disco cartilaginoso + ligamentos periféricos que estabilizam a articulação radioulnar distal (DRUJ) e ajudam a absorver cargas.
Quando o TFCC se lesiona, surgem dor ulnar, estalos, perda de força e sensação de instabilidade — especialmente ao rodar o antebraço (pronação/supinação) ou apoiar a mão.
Em muitos casos, tratamento conservador (órtese, fisioterapia, modificação de carga e eventualmente infiltração guiada por US) resolve. Já nas lesões persistentes, instáveis ou traumáticas agudas selecionadas, a cirurgia é indicada para restaurar estabilidade e função.
O que é o TFCC e como ocorre a lesão
O TFCC funciona como “amortecedor” entre rádio e ulna e é chave para a estabilidade da DRUJ.
As lesões podem ser:
- Traumáticas (Palmer 1): queda com mão estendida, torção forçada, impacto esportivo.
- Degenerativas (Palmer 2): desgaste progressivo, mais comum em uso repetitivo, ulna positiva (ulna mais longa que o rádio) e sobrecarga crônica.
Sintomas típicos: dor ulnar do punho, estalos, perda de força, piora ao rodar o antebraço ou ao apoiar-se. Em crônicos, a instabilidade pode evoluir para degeneração articular precoce.
Diagnóstico: clínico (testes provocativos para TFCC/DRUJ) + imagem (US e RM; a artrografia por RM melhora sensibilidade). Artroscopia é o padrão-ouro diagnóstico-terapêutico quando o quadro é refratário.
Quando considerar a cirurgia
Começa-se com conservador por 6–12 semanas (ou até 3–6 meses conforme gravidade): órtese, fisioterapia focada em estabilidade, controle de dor e ajuste de atividades.
Indicar cirurgia quando houver:
- Dor persistente e limitação funcional após tratamento bem conduzido
- Instabilidade clínica/radiológica da DRUJ
- Lesão traumática aguda reparável (especialmente periférica)
- Falha de infiltração/órtese ou sinais de lesão deslocada
A decisão é individualizada (tipo de lesão, idade, demanda esportiva/profissional, morfologia ulnar).
Técnicas cirúrgicas para reparar o TFCC
A escolha depende do padrão da lesão (central × periférica; traumática × degenerativa) e da estabilidade da DRUJ:
- Artroscopia do punho
- Debridamento dos rasgos centrais avasculares (Palmer 1A) que não cicatrizam, aliviando dor.
- Reparo artroscópico de rasgos periféricos (1B/1D), quando há vascularização e potencial de cicatrização.
- Debridamento dos rasgos centrais avasculares (Palmer 1A) que não cicatrizam, aliviando dor.
- Reparo periférico direto (aberto ou artroscópico)
- Para lesões traumáticas no margem ulnar com instabilidade da DRUJ.
- Reparo foveal (re-anexação ao fóvea da ulna) restaura o principal feixe estabilizador da DRUJ.
- Para lesões traumáticas no margem ulnar com instabilidade da DRUJ.
- Procedimentos para lesões degenerativas / ulna positiva
- Wafer procedure (ressecção parcial da cabeça da ulna/articulação ulnocarpal) em impacção ulnar leve.
- Osteotomia de encurtamento ulnar quando há ulna positiva significativa e padrão degenerativo (Palmer 2), reduzindo sobrecarga sobre o TFCC e ulnocárpica.
- Wafer procedure (ressecção parcial da cabeça da ulna/articulação ulnocarpal) em impacção ulnar leve.
- Reconstrução ligamentar do TFCC
- Para lesões crônicas complexas ou falhas de reparo, com enxertos tendíneos para restaurar estabilidade da DRUJ.
- Para lesões crônicas complexas ou falhas de reparo, com enxertos tendíneos para restaurar estabilidade da DRUJ.
Resumo prático
- Central/degenerativa → tende a debridamento ± correção da ulna (wafer/encurtamento).
- Periférica/traumática com instabilidade → reparo periférico/foveal.
- Crônica complexa → reconstrução.
Recuperação e reabilitação
- Imobilização (órtese/gesso) por 3–6 semanas, conforme técnica e estabilidade.
- Fisioterapia progressiva após liberação:
- Fase 1: controle de dor/edema, mobilidade protegida.
- Fase 2: ganho de amplitude e ativação de músculos estabilizadores.
- Fase 3: fortalecimento e retorno gradual à carga/rotação.
- Fase 1: controle de dor/edema, mobilidade protegida.
- Atividades leves: ~6–8 semanas.
- Esporte/alto impacto: pode levar 3–6 meses, especialmente após reparo foveal/osteotomia.
Adesão ao protocolo é determinante para evitar rigidez e recidiva de dor.
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Resultados e expectativas
Quando bem indicada, a cirurgia do TFCC apresenta altas taxas de alívio da dor e recuperação da estabilidade.
Em geral:
- Debridamentos preservam mobilidade e aliviam dor em lesões centrais.
- Reparos periféricos/foveais melhoram estabilidade da DRUJ; exigem reabilitação mais cautelosa.
- Osteotomias/wafer são eficazes na impacção ulnar e nos padrões degenerativos.
Possíveis complicações (incomuns): rigidez, dor residual, recidiva de instabilidade, neurossensibilidade local, falha de cicatrização ou necessidade de revisão.
Conclusão
A lesão do TFCC pode comprometer de forma importante a função do punho.
Após tentativa adequada de tratamento conservador, a cirurgia — escolhida conforme o padrão da lesão e a estabilidade da DRUJ — oferece excelentes chances de controle da dor, estabilidade e retorno às atividades.
O Dr. Gustavo Campanholi realiza avaliação detalhada de cada caso, utilizando exames de imagem de alta precisão e protocolos de reabilitação personalizados, sempre com foco em um retorno funcional rápido e seguro às atividades.
Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Se há dor ulnar persistente ou suspeita de lesão do TFCC, procure avaliação com especialista em cirurgia da mão.



