A ruptura do bíceps distal é uma lesão menos comum, mas altamente incapacitante, afetando principalmente homens ativos entre 40 e 60 anos. Essa ruptura ocorre quando o tendão que conecta o músculo bíceps ao osso rádio, na parte inferior do braço, se rompe parcial ou totalmente, comprometendo movimentos fundamentais como a flexão do cotovelo e a rotação do antebraço.
Embora o bíceps seja mais conhecido por sua função estética, ele tem um papel fundamental na força e estabilidade dos membros superiores. Por essa razão, uma lesão no tendão distal pode impactar significativamente a capacidade funcional e a qualidade de vida.
O que é ruptura do bíceps distal?
Como dissemos anteriormente, a ruptura do bíceps distal é o rompimento do tendão que liga a parte inferior do bíceps ao osso do antebraço. Esse tendão é responsável pela transmissão da força do bíceps para permitir dois movimentos fundamentais: girar a palma da mão para cima (supinação) e flexionar o cotovelo. Quando esse tendão se rompe, esses movimentos ficam comprometidos parcial ou totalmente.
Essa lesão costuma acontecer de forma súbita, principalmente durante um esforço intenso em que o músculo é sobrecarregado. Um exemplo disso é tentar segurar algo pesado que está caindo, o que exerce uma força oposta brusca. O rompimento pode ser completo, com separação total do tendão, ou parcial, quando parte das fibras tendíneas permanece intacta.
A ruptura do bíceps distal é mais rara do que a ruptura do cabo longo do bíceps, mas seus efeitos sobre a força e a função do braço são bastante marcantes. Por isso, reconhecer precocemente e implementar o tratamento adequado o quanto antes é fundamental para uma reabilitação completa.
Quais são os fatores de risco e os sintomas?
Os fatores de risco para a ruptura do bíceps distal incluem:
- Esforços físicos intensos, principalmente em homens que praticam musculação ou levantamento de peso.
- Uso de esteroides anabolizantes, que enfraquecem os tendões ao longo do tempo.
- Tabagismo, que compromete a vascularização e a cicatrização dos tendões.
- Doenças crônicas, como insuficiência renal e diabetes, que afetam a integridade dos tecidos em geral.
Os sintomas da ruptura são bastante característicos: O paciente costuma relatar dor súbita e intensa na frente do cotovelo, muitas vezes acompanhada por um estalo audível. Pode surgir hematoma na parte anterior do braço e inchaço local nos minutos seguintes após a lesão.
A perda de força na flexão e na rotação do antebraço é outro sinal típico, além de uma alteração conhecida como “sinal de Popeye invertido”, quando o bíceps sobe em direção ao ombro. Nos casos de ruptura parcial, a dor e a fraqueza podem ser mais discretas, mas ainda assim impactantes.
Como é feito o diagnóstico da ruptura do bíceps distal?
O diagnóstico dessa lesão é baseado na avaliação clínica e confirmado por exames de imagem. O médico ortopedista realiza testes específicos durante o exame, como o Hook Test, no qual o tendão é puxado com o dedo. A falta de resistência ou a sensação de vazio indicam ruptura completa.
A ressonância magnética é altamente indicada para confirmar a lesão, permitindo avaliar a extensão do rompimento e verificar a integridade das estruturas ao redor. Já a ultrassonografia possibilita uma avaliação rápida, embora dependa bastante da experiência do examinador.
O raio-X, embora não visualize tendões, pode ser solicitado para descartar fraturas associadas, especialmente se o trauma tiver sido de alta energia. No caso de ruptura parcial ou quando há dúvidas clínicas, esses exames são indispensáveis para definir a melhor conduta.
Quais são os tratamentos para ruptura do bíceps distal?
O tratamento da ruptura do bíceps distal pode ser conservador ou cirúrgico, dependendo do nível de atividade do paciente, tipo de lesão e presença de comorbidades.
Tratamento conservador
O tratamento conservador é indicado principalmente para pacientes com baixíssimo nível de demanda física, contra indicações cirúrgicas ou idade avançada. O objetivo é controlar a dor e preservar a função parcial do braço com fisioterapia, adaptações funcionais e fortalecimento muscular compensatório.
Contudo, essa abordagem costuma levar à perda de 30% a 50% da força de supinação e cerca de 20% da força de flexão do cotovelo, trazendo um impacto significativo em pessoas ativas ou atletas.
Tratamento cirúrgico
A abordagem cirúrgica é a opção preferencial para a maior parte dos pacientes, principalmente aqueles que dependem da força e da função do braço para suas atividades laborais ou esportivas. A cirurgia consiste na reinserção do tendão ao osso rádio, através de técnicas como botões endoscópicos, ancoragem com parafusos ou suturas ósseas.
Quanto mais cedo a cirurgia for realizada — idealmente nas primeiras duas a três semanas após a lesão —, melhores serão os resultados, pois o tendão ainda estará em melhores condições para reinserção. Após esse período, o tendão pode retrair e tornar o procedimento mais complexo.
Como é a recuperação após o tratamento?
A recuperação após o tratamento da ruptura do bíceps distal depende principalmente da abordagem adotada e da adesão do paciente às recomendações. No caso da cirurgia, o braço é imobilizado nas primeiras 3 semanas com tipoia ou tala, e os movimentos passivos são iniciados logo em seguida para evitar rigidez.
A fisioterapia é um processo fundamental na reabilitação, e a progressão costuma seguir estas fases:
- Fase inicial (0 a 4 semanas): controle da dor, redução do inchaço e preservação da amplitude passiva
- Fase intermediária (4 a 8 semanas): introdução de movimentos ativos leves e ganho de mobilidade do cotovelo e antebraço
- Fase final (a partir de 8 semanas): início do fortalecimento muscular progressivo e retorno às atividades cotidianas e, posteriormente, esportivas
O tempo médio para retorno completo às atividades varia de 3 a 6 meses, dependendo da complexidade da lesão, da técnica utilizada e da dedicação do paciente à fisioterapia.
Durante todo o período de recuperação, é essencial evitar sobrecarga precoce, seguir o plano de reabilitação e manter o acompanhamento regular com o ortopedista.
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A ruptura do bíceps distal é uma lesão séria que impacta diretamente a função do braço e exige avaliação rápida e precisa. Embora não seja uma emergência médica, o tempo é determinante para o sucesso do tratamento.
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