dedo em gatilho

Tenossinovite dos flexores ou dedo em gatilho: sintomas e tratamentos disponíveis

A tenossinovite dos flexores, também conhecida como tenossinovite estenosante ou dedo em gatilho, é uma condição inflamatória que afeta os tendões flexores dos dedos, causando dor, rigidez e bloqueios durante o movimento de flexão e extensão. O nome popular se deve ao fato de o dedo afetado ficar preso ao ser dobrado e, ao esticar, estalar como se fosse um disparo.

Embora seja uma condição comum, principalmente em pessoas que realizam movimentos repetitivos com as mãos, o dedo em gatilho pode causar desconforto e limitar atividades simples do dia a dia, como digitar, segurar objetos e realizar tarefas domésticas.

O que causa o dedo em gatilho?

O dedo em gatilho acontece quando há um espessamento ou inflamação do tendão flexor que precisa passar por uma polia — uma espécie de túnel localizado na base do dedo. Quando essa polia é atingida por um processo inflamatório ou se estreita, o tendão tem dificuldade para deslizar suavemente, provocando dor e travamento.

Esse processo inflamatório pode ter diferentes origens, como:

  • Movimentos repetitivos das mãos, principalmente em atividades de preensão ou uso contínuo dos dedos, como digitar, costurar, jardinagem e uso intenso do celular, uso de alicates ou tesouras
  • Doenças inflamatórias sistêmicas, como diabetes, artrite reumatoide e lúpus
  • Microtraumas de repetição
  • Alterações hormonais, principalmente em mulheres após os 40 anos

Embora possa afetar qualquer dedo da mão, a condição é mais frequente no polegar, anelar e dedo médio.

Quais são os principais sintomas?

Os sintomas de dedo em gatilho geralmente começam de forma leve, com desconforto ao movimentar o dedo. Com o tempo, eles podem evoluir para dores mais intensas e bloqueios mecânicos. Os sinais mais comuns são:

  • Dor na base do dedo ou na palma da mão, principalmente ao acordar ou após longos períodos de uso
  • Sensação de estalido ou clique ao dobrar ou estender o dedo
  • Travamento do dedo em posição flexionada, que se solta bruscamente
  • Rigidez matinal, que melhora com o uso das mãos, mas pode retornar ao longo do dia
  • Inchaço e nódulo sensível na base do dedo

Nas fases iniciais, o dedo ainda pode ser estendido com certo esforço, mas, com o tempo, o travamento pode se tornar permanente. Nos casos crônicos, a mobilidade é significativamente afetada, dificultando funções básicas como escrever, segurar talheres ou utilizar ferramentas.

Como é feito o diagnóstico de dedo em gatilho?

O diagnóstico dessa condição é clínico e realizado por um cirurgião de mão, que pode identificar os sintomas típicos durante a consulta. Na maioria dos casos, o exame físico é suficiente, mas, em situações específicas, exames de imagem podem ser solicitados para complementar o diagnóstico.

Exames como a ultrassonografia podem ser utilizados para confirmar a inflamação e o espessamento da polia, principalmente quando há dúvida diagnóstica. A ressonância magnética raramente é necessária, sendo indicada apenas quando se suspeita de outras alterações associadas.

De qualquer forma, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e iniciar o tratamento adequado, garantindo a preservação da mobilidade e da qualidade de vida do paciente.

Quais são os tratamentos disponíveis?

O tratamento de dedo em gatilho varia conforme o estágio da doença, podendo ser conservador ou cirúrgico. Nos estágios iniciais, medidas simples ajudam a promover alívio significativo.

Tratamento conservador

O tratamento conservador costuma incluir:

  • Repouso funcional, evitando atividades que exigem esforço dos dedos e promovendo pausas frequentes em tarefas manuais
  • Uso de talas ou órteses noturnas, que mantêm o dedo em posição neutra e reduzem o atrito no tendão inflamado
  • Medicações anti-inflamatórias, como ibuprofeno ou naproxeno, para controle da dor e inflamação
  • Terapias físicas, como fisioterapia e laserterapia
  • Infiltração com corticoide, indicada para quadros de dor mais intensa, podendo evitar a necessidade de cirurgia

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico é indicado quando os sintomas persistem por mais de três meses e não respondem ao tratamento conservador, principalmente quando há travamento constante do dedo.

A cirurgia consiste na liberação da polia A1, permitindo o deslizamento livre do tendão. O procedimento costuma ser rápido e é geralmente realizado com anestesia local.

A recuperação após o procedimento é rápida, e a maior parte dos pacientes retoma suas atividades em até duas semanas, relatando melhora significativa da dor e da mobilidade. A fisioterapia pós-operatória pode ser indicada para acelerar a reabilitação e fortalecer a articulação.

Leia também: Sindactilia: O que Causa a Doença dos Dedos Grudados?

Quais outras abordagens podem ajudar na recuperação?

Existem abordagens complementares que podem desempenhar um papel importante na prevenção de recidivas e no manejo da dor no dedo em gatilho. O foco é promover o equilíbrio do organismo como um todo e atuar nos fatores que favorecem o processo inflamatório.

Entre as estratégias mais utilizadas estão:

  • Nutrição anti-inflamatória
  • Suplementação com colágeno, magnésio e cúrcuma
  • Acupuntura
  • Avaliação postural e biomecânica

Essas abordagens, combinadas ao tratamento ortopédico convencional, oferecem resultados mais duradouros e contribuem para uma recuperação completa.


O dedo em gatilho pode parecer uma condição simples, mas quando não tratado, compromete significativamente a funcionalidade e a qualidade de vida. O diagnóstico precoce e a implementação de um tratamento adequado são fundamentais para evitar a progressão da doença e garantir uma recuperação eficaz.

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