A instabilidade do punho ocorre quando os ligamentos que mantêm os ossos carpais firmes se rompem, afrouxam ou perdem a capacidade de sustentar a articulação. Essa condição pode causar dor crônica, perda de força, limitação de movimento e até artrose precoce, comprometendo tarefas simples como digitar, segurar objetos ou praticar esportes.
Em muitos casos, o tratamento conservador — com imobilização, fisioterapia e infiltrações guiadas por ultrassom — é suficiente. Entretanto, quando a dor persiste e há sinais de instabilidade mecânica, a cirurgia de reconstrução ligamentar passa a ser a melhor opção para restaurar a estabilidade e preservar a função do punho.
Como o punho mantém sua estabilidade
O punho é formado por oito pequenos ossos (ossos do carpo) conectados entre si por ligamentos que funcionam como cabos estabilizadores. Esses ligamentos evitam movimentos anormais e mantêm a harmonia biomecânica da articulação.
Traumas como quedas com a mão estendida, entorses, ou movimentos repetitivos em excesso podem provocar rupturas parciais ou totais desses ligamentos. As lesões mais comuns afetam o ligamento escafolunar e o ligamento lunopiramidal, responsáveis por boa parte da força e mobilidade do punho. Quando lesionados, os ossos passam a se mover de forma desordenada, provocando dor, estalos e perda de controle fino da mão.
Além dos traumas, fatores como frouxidão ligamentar congênita, doenças reumatológicas e sobrecarga esportiva também podem contribuir para a instabilidade. Atletas que utilizam intensamente as mãos — como ginastas, tenistas e praticantes de artes marciais — estão entre os mais afetados.
Quando a cirurgia é indicada
A decisão cirúrgica depende da gravidade da lesão e da resposta ao tratamento conservador. Casos com ruptura completa dos ligamentos, desalinhamento entre os ossos carpais ou falha após meses de fisioterapia geralmente exigem intervenção.
Entre os sinais de que a cirurgia pode ser necessária estão:
- Dor intensa e persistente no punho
- Sensação de que a mão “sai do lugar” ao se mover
- Perda de força ou dificuldade para segurar objetos
- Evidência radiológica de instabilidade escafolunar ou lunopiramidal
Quando não tratada, a instabilidade pode evoluir para colapso carpal e degeneração articular precoce. O ortopedista especialista em mão avalia fatores como idade, profissão, demanda funcional e grau de instabilidade para definir o melhor momento cirúrgico.
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Como é feita a reconstrução dos ligamentos
A cirurgia busca restaurar o alinhamento e a estabilidade entre os ossos do carpo, substituindo ou reforçando o ligamento rompido. O procedimento pode ser realizado por via aberta ou por artroscopia, dependendo do tipo e da cronicidade da lesão.
Em muitos casos, utiliza-se um enxerto de tendão autólogo, como o palmar longo ou o flexor radial do carpo, para reconstruir o ligamento lesionado. O enxerto é fixado com âncoras ou parafusos bioabsorvíveis, garantindo a tensão correta entre os ossos. Após a reconstrução, o punho é temporariamente estabilizado com fios de Kirschner ou pinos metálicos, que permanecem por algumas semanas até que o enxerto cicatrize.
A artroscopia, por ser minimamente invasiva, tende a proporcionar recuperação mais rápida e menor risco de rigidez, embora nem todas as rupturas complexas sejam elegíveis para essa abordagem.
Reabilitação e recuperação
O sucesso da reconstrução depende tanto da técnica cirúrgica quanto da adesão ao protocolo de reabilitação.
No pós-operatório, o paciente permanece com imobilização rígida (tala ou gesso) por algumas semanas. Após a retirada dos pinos, inicia-se a fisioterapia, que deve focar em:
- Recuperar a amplitude de movimento de forma progressiva
- Reforçar musculatura estabilizadora do punho e antebraço
- Reeducar padrões de movimento para evitar sobrecarga
A recuperação total costuma levar de três a seis meses, variando conforme a complexidade da lesão e a resposta individual. Atividades leves podem ser retomadas após algumas semanas, enquanto esportes de contato e esforços intensos exigem liberação médica específica.
Resultados e riscos do procedimento
Estudos recentes mostram que 80 a 90 % dos pacientes apresentam melhora significativa da dor e da estabilidade após a reconstrução ligamentar, principalmente quando o diagnóstico é precoce.
Entre os principais benefícios estão:
- Redução da dor
- Recuperação da força e estabilidade
- Prevenção da artrose precoce
- Retorno às atividades cotidianas e esportivas
Como todo procedimento cirúrgico, há riscos potenciais, incluindo rigidez articular, falha de cicatrização, dor residual e, em casos raros, necessidade de revisão cirúrgica. Uma reabilitação supervisionada e acompanhamento contínuo reduzem significativamente essas complicações.
É importante manter expectativas realistas: mesmo com cirurgia bem-sucedida, pequenas limitações de força ou mobilidade podem persistir, especialmente em casos crônicos.
Conclusão
A instabilidade do punho por ruptura ligamentar é uma condição que exige diagnóstico preciso e tratamento individualizado.
Quando o manejo conservador não é suficiente, a reconstrução ligamentar é uma alternativa eficaz para restaurar a função, aliviar a dor e prevenir degeneração articular.
O Dr Gustavo Campanholi avalia cada caso com base em exames clínicos detalhados e métodos de imagem de alta precisão, buscando o equilíbrio ideal entre estabilidade, mobilidade e retorno funcional seguro.
Aviso: As informações deste texto têm caráter educativo e não substituem a avaliação médica individualizada. Em caso de dor ou instabilidade no punho, procure um especialista em cirurgia da mão.



